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Entre a Cruz e a Espada
por Alex Carvalho

Eu e meu irmão gêmeo Alan, nos preparamos durante dois anos para o dia da nossa "crisma" na Igreja de nosso bairro (a mesma igreja onde nossos pais se casaram e onde fomos batizados). Corria o ano de 1987. Foram simplesmente 96 domingos acordando cedo e seguindo a passos sonolentos rumo à "Igreja de São José Operário" de Leopoldina, onde nos aguardava o severo, porém carismático, padre André (um alemão, que hoje, aposentado, se preocupa apenas com suas pescarias e com suas merecidas cervejinhas geladas, as quais aprecia com "razoável" moderação). 

Acontece que, para surpresa geral e total desespero daqueles adolescentes rubro-negros, a tão aguardada e ensaiada crisma foi marcada para o dia 13 de dezembro de 1987 (!!!!!!!). Exatamente no mesmo dia e, ainda, na mesma hora em que o time formado por Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e "Zico"; Zinho, Renato Gaúcho e Bebeto e que tinha como técnico, o querido Carlinhos, enfrentava o Internacional de Taffarel e Cia. (comandados pelo saudoso treinador Ênio Andrade) na final da COPA UNIÃO. 

Foram simplesmente sete dias de horror, sem dormir, enfrentando a pressão materna pelo cumprimento de nossa responsabilidade católica (dias que nunca mais me esquecerei). 

Porém, contando com a tão solicitada e nunca negada "conivência" paterna, chegamos à uma decisão (literalmente): Iríamos assistir à DECISÃO do Campeonato Brasileiro de 1987. 

Naquele dia tive uma das maiores emoções da minha vida: Foi quando, ao final do jogo em que conquistamos o título de tetracampeões brasileiros, presenciamos num maracanã lotado, onde, quando se esperava ouvir o grito de "é CAMPEÃO!", uma NAÇÃO, representada por 92 mil pessoas, bradou em uníssono: "ZICO, ZICO, ZICO!!!!", numa inequívoca demonstração de Gratidão, Reconhecimento e Amor ao seu maior ídolo de todos os tempos. 

Naquele dia, deixei uma jovem mãe entristecida, um padre germânico enfurecido, mas, com certeza, de certa forma, "me senti mais próximo do céu!".





As crônicas expostas aqui são o resultado de um concurso realizado em 2004 com os amigos que freqüentam o Blog Galera do Galinho. 

O material recebido foi de tão boa qualidade que, mesmo que já por intenção minha, mas também atendendo pedidos da própria galera do blog, abrimos esta seção para que todas as crônicas fiquem registradas.

Zico