Acompanhei aqui na Arábia Saudita toda a Eurocopa e fiquei feliz pela conquista da Espanha, de forma até impressionante por ser uma goleada contra a Itália, coisa rara em finais. E celebro o título espanhol por tudo o que ele representa, principalmente nesse momento em que há um movimento resgatando os 30 anos da nossa Seleção Brasileira de 1982. Na Conexão desta semana vou falar um pouco sobre isso.
Gosto muito de ver a seleção espanhola jogar, assim como gosto de ver o Barcelona em campo. Costumo até falar para os jogadores do Iraque que são dois bons exemplos que devemos perseguir sempre. A Espanha joga um futebol que até certo ponto podemos chamar de simples, baseado em posse de bola, toques rápidos e muita movimentação. É claro que isso está aliado a uma geração talentosa, com jogadores vitoriosos inclusive nas seleções espanholas de base e a maior parte do elenco dividido entre os times do Real Madrid e do Barcelona.
É interessante destacar que esse estilo de jogo dos espanhois, conforme muita gente já comentou, parece muito com o futebol da nossa geração de 1982, que nesse momento é tema de diversas reportagens por conta dos 30 anos da Copa, que curiosamente foi realizada na Espanha. Tínhamos em 1982 a criatividade, uma geração muito talentosa, mas nos faltava esse conjunto que a gente percebe muito forte na seleção espanhola. O Brasil de 82 foi um time organizado basicamente durante a Copa, sem ter treinado uma vez sequer eu, Sócrates, Falcão e Cerezo juntos. Nunca tínhamos jogado uma partida nós quatro, e isso, na minha opinião, teve um peso muito grande na nossa eliminação.
Mas voltando a falar da conquista da Eurocopa, a Espanha chegou à final sem ter feito aquela campanha que possamos chamar de brilhante. O que muita gente não se dá conta é que, além de entrar com o peso de favorita e atual campeã, a disputa pela Eurocopa é intensa, com seleções que encaram o torneio até como mais importante do que a Copa do Mundo, já que as Eliminatórias acabam deixando muitas seleções europeias de fora do Mundial.
A vitória com goleada na final mostra, por outro lado, a força dessa seleção e ainda sinaliza algo que deve servir de alerta para todos os candidatos à Copa de 2014. Uma nova geração já está chegando e se misturando aos vitoriosos jogadores que conquistaram um grande título pela terceira vez seguida: Eurocopa 2008, Copa 2010 e agora Eurocopa 2012.
Eu, que sou apaixonado pelo futebol bem jogado, fico ainda feliz ao ver que a queda definitiva de velhas máximas do futebol como a de que é fundamental ter especialistas destruindo no meio, e ainda um centroavante de força como referência no ataque. Na Espanha, os meias atacam e os atacantes defendem, não há necessariamente jogador de destaque no ataque e o time é capaz de ser ofensivo, vencer jogos e conquistar títulos. Claro que a Espanha não está dando receita de bolo, mas é inegável que alguns desses exemplos são ótimos para o futebol. Cabe aos que vivem no mundo da bola aproveitar!
Até a semana que vem!
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