Conexão - em 01/06/2010 por Arthur Antunes Coimbra

Um 1º de junho mais do que especial

Quem acompanha sempre a minha coluna sabe a caminhada que fiz nos últimos anos para chegar até aqui. Viajei pelo mundo como treinador, trabalhando como prazer no futebol e conhecendo outras culturas, mas, se estive distante do Flamengo, foi apenas de corpo. Torci nas madrugadas pelo time pela TV, pela internet, conciliando uma relação de coração que tenho com o clube com meu trabalho profissional. Sabia que um dia voltaria para me dedicar de corpo e alma. Chegou a hora.

Não quero criticar este ou aquele dirigente, diminuir alguma outra gestão do clube. Muito pelo contrário. Acredito que temos no Flamengo muitos rubro-negros que tentaram fazer o melhor que puderam pelo clube. É hora, agora, de seguir em frente e pretendo trazer a minha filosofia de trabalho. Venho de peito aberto e estou preparado. Peço que tenham confiança e sei da responsabilidade. Sei também que milagre não dá para fazer, que posso errar e estou pronto para ser criticado. Tudo isso faz parte do trabalho.

Aos torcedores, a todos que declaram apoio a mim nesse desafio, eu gostaria de dizer que não vai faltar trabalho firme para deixar um legado importante, que recoloque o Flamengo na posição de destaque que ele merece. O primeiro passo é terminar o nosso CT George Helal. Vi e você que acompanha o meu site pode constatar como faz diferença poder contar com uma boa estrutura de trabalho para os jogadores. É fundamental para o Flamengo e vai ser a minha prioridade.

Estamos preparando ainda um planejamento para o clube envolvendo todas as divisões de base. É preciso voltar a revelar talentos. Título na base não pode ser a prioridade, mas ter atletas no profissional é fundamental. Foi assim que eu apareci e toda uma geração campeã no clube. O Flamengo precisa retomar sua tradição de formador. Esse é um passo importante que temos que dar.

Gostaria de dizer ainda que optei por não receber diretamente pela folha do pagamento do Flamengo. É uma questão de opinião e uma visão minha sobre as coisas. Acho que já trabalhei o que deveria como jogador do clube para ser remunerado e hoje posso ser pago de outras formas. Estou cedendo a minha imagem a um patrocinador para viabilizar o meu trabalho profissional. Acho esta uma solução melhor, que me deixa mais confortável.

Em resumo, este é mais um dia especial na minha vida. E pensar que 1º de junho geralmente era a data em que assinava os contratos como jogador. Espero que tenha a mesma sorte. Mas vamos trabalhar bastante. Estou confiante e conto, como sempre, como o apoio de uma nação de torcedores. Gente que vem se manifestando na rua, por e-mail, em centenas de mensagens no twitter que nem consegui ainda ler todas – mas estou tentando. Agradeço pelo carinho e saibam que estaremos juntos nesse desafio.

Até a semana que vem!