Conexão - em 04/08/2010 por Arthur Antunes Coimbra

O Flamengo que queremos ver

Todos que me acompanham já perceberam que, nas duas frentes de trabalho em que atuo hoje no clube, a que mais me preocupa é a base. Não por acaso. Problemas que temos no time profissional atualmente são reflexos de alguns anos de descaso, conforme já expliquei antes. Mas bons exemplos nesse curto prazo já podem ser comemorados. Escolhi a campanha invicta do time de juniores na Supercopa, em São Paulo, para a Conexão desta semana.

É claro que dois meses ainda é apenas um início de trabalho e certamente teremos muitos desafios para tornar todas as categorias de base do Flamengo novamente forte celeiro de jogadores. Mas o vice-campeonato de um torneio internacional com grandes times como o representante do campeão da Copa do Mundo, a Espanha (Sevilha), e ainda a Argentina (Boca Juniors), Portugal (Porto), Uruguai (Penarol), além de equipes do Brasil, foi indício de que a turma já entendeu a nova filosofia.

Estive em São Paulo, conversei com os jogadores, e quem viu as partidas pode perceber uma equipe comprometida com o Flamengo. Voltada para a coletividade, atrás da vitória do time que certamente também é importante para cada um individualmente. Soube depois que esses garotos que foram derrotados pelo Santos na decisão caíram em prantos dentro do vestiário. Eles queriam muito aquele título porque lutaram muito por ele. E demonstraram qualidade.

A boa campanha merece ser dividida com muitos profissionais que estão trabalhando nos últimos meses para reestruturar o departamento de futebol junto comigo. Ênfase na disciplina, no trabalho forte, foco no coletivo e, se possível, no intercâmbio. No momento em que o Flamengo atuava em São Paulo, Infantil e Juvenil se espalhavam por outras cidades do país dando experiência aos jovens. Isso é fundamental.

O Flamengo precisa voltar a ser do tamanho do Flamengo. Essa mudança não acontece da noite para o dia, porque os problemas são muitos e o clube naturalmente tem uma estrutura burocrática. Nem vou perder tempo aqui falando de quem está jogando contra nosso trabalho porque essas pessoas se escondem, não tem rosto. O Flamengo é maior que todas elas e vai sair dessa situação.

Falando do time profissional, o torcedor precisa ter ainda um pouco mais de paciência na disputa do Brasileirão. Não há como mexer e curar essa ferida tão grande sem um pouco de dor. Mas eu e muitos profissionais que estamos no clube hoje, sabemos o caminho que estamos tomando. É agora que precisamos do apoio do verdadeiro torcedor. Apoio que deve se estender aos jogadores de todas as categorias. Temos garotos com qualidade chegando e o terreno está sendo preparado para que tenhamos num futuro breve o Flamengo do tamanho de sua torcida.

Até a semana que vem!