• Udine 89: a última vez com a "Amarelinha"
  • Maracanã 90: o ensaio do adeus 

 

Udine 89: a última vez com a "Amarelinha"


A cidade italiana de Udine recebeu Zico com tanto carinho nas duas temporadas em que ele atuou pelo time local (1983 a 1985), que, por iniciativa do craque, a despedida dos gramados vestindo a camisa da Seleção Brasileira foi realizada lá. No dia 27 de março de 1989, um domingo de Páscoa, o Galinho vestiu a ‘Amarelinha’ pela última vez num jogo contra uma seleção de craques do Resto do Mundo, às 20h, no Estádio Friulli. O Brasil perdeu de 2 a 1, de virada, gols de Francescoli e Detari, para os estrangeiros. Dunga marcou o único gol brasileiro.

O evento teve a participação da comissão ‘Itália 90’, responsável pela organização da Copa do Mundo realizada no ano seguinte. Este foi o primeiro jogo promocional do comitê, que preparou uma festa no estádio. Duas horas antes do início do jogo, já havia movimentação com bandas de fanfarra, passistas e muito samba. As escadarias do Friuli estavam enfeitadas com bandeiras verde e amarela. A torcida ocupou 41 mil lugares para homenagear o ídolo e artilheiro. Sete dias antes da festa, 30 mil ingressos já tinham sido vendidos. O Galinho desembarcou na Itália no dia 22 de março.

Comandado pelo técnico Sebastião Lazaroni, o Brasil entrou em campo com alguns jogadores que viriam a conquistar o tetracampeonato com a Seleção em 1994, entre eles o volante Dunga e o lateral Branco. Lazaroni, inclusive, utilizou o jogo como preparação para o Mundial. Zico teve a oportunidade de jogar com algumas ‘feras’ que o acompanharam nas conquistas pelo Flamengo, como Andrade, Mozer, Tita e Júnior. E sepultou de vez as chances de disputar sua quarta Copa, apesar dos pedidos para que ele tentasse jogar.

Do outro lado, um time de craques dos quatro cantos do mundo escalado por Nils Liedholm. Destaque para os goleiros, o belga Preud’home e o russo Dasaev, dois dos maiores nomes da posição. A equipe ainda tinha o cabeludo colombiano Valderrama, o uruguaio Francescoli e o húngaro Detari.

O argentino Diego Maradona não pôde comparecer. Dois dos três craques holandeses do Milan, que chegaram a ser confirmados para a partida, foram até o estádio, mas também não jogaram. Van Basten e Rijkaard entraram no Friuli às 20h05  só para cumprimentar o público. O alto-falante anunciou que ambos terminaram de treinar às 18h e estavam cansados.

Apesar de não ter marcado gol, Zico arrancou aplausos ao distribuir seis ou sete passes perfeitos para os companheiros. Deixou o campo aos 35 minutos do segundo tempo, dando a vaga para Douglas. Ovacionado pela torcida, o Galinho entregou a faixa de capitão a Mozer e, visivelmente emocionado, deixou o campo. Depois desse jogo, só voltou a usar a camisa da Seleção em jogos de Masters e no Beach Soccer.



 

O JOGO

O Brasil começou melhor e Renato Gaúcho levou perigo à meta adversária logo aos 4 minutos. Dois minutos depois, o time ‘’Canarinho’’ abriu o placar, com uma cobrança de falta de Dunga, disparando uma bomba de longe. Os passes de Zico, além dos dribles de Renato pela direita, deram molho ao espetáculo. Na Seleção do Resto do Mundo, o húngaro Detari organizava o time, que empatou o jogo aos 34 minutos. O uruguaio Francescoli aproveitou o rebote de um chute fortíssimo de Detari, espalmado por Gilmar. Foi a única chance do Resto do Mundo nos primeiros 45 minutos. O domínio era brasileiro.

Na etapa final, Lazaroni colocou quase todos os reservas para jogar. A imprensa local destacou a atuação de Milton, que atuava no Como. Zico era insistentemente chamado para o jogo, já que todos ali queriam ver um gol seu. Mas, aos 9 minutos, o RM virou o jogo. O gol saiu numa jogada veloz e muito bonita: Stoikovic passou a bola para Detari, que vinha de trás. O húngaro encheu o pé e estufou a rede de Gilmar.

Dasaev ainda fez uma grande defesa num chute de Zico. O gol não saiu e, quando faltavam 10 minutos para terminar o jogo, o craque deixou o campo para a entrada de Douglas. Tita ainda teve uma chance de empatar, há sete minutos do apito final, mas o placar ficou em 2 a 1.

Um jornal italiano resumiu o sentimento dos torcedores na despedida de Zico:

”E
m Udine, as pessoas começam a entender o que um campeão como ele significava nos tempos gloriosos, que dificilmente vão voltar. Mas nem por isso elas expressaram desilusão. Ao contrário, mostraram reconhecimento e gratidão. ‘Obrigado Zico’ era o grito que mais se ouvia na arquibancada. A partida não teve nada de entediante.”




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CURIOSIDADES

CARTA À TORCIDA - Antes de sair do Brasil, Zico enviou uma carta aos jornais de Friuli, dirigida aos torcedores da Udinese. Um trecho: "A experiência que vivi no Friuli é um capítulo da minha vida que nunca vou esquecer (...) Sempre recebi afeto de sua gente, até daqueles que me julgaram com severidade. (...) Quando estava em Udine, não escondo de ter pensando na minha terra com saudade, quando podia voltava para o Rio de Janeiro. Mas depois contava os dias para voltar para Udine. (...) Com poucos meses em Udine já tinha feito muitos amigos, gente comum, torcedores que com sua simplicidade e espontaneidade me faziam sentir um deles. Nunca tive a sensação de ser um estrangeiro".

INGRESSOS - Por causa da grande procura de ingressos com antecedência, o bilhete de arquibancada chegou a custar 25 mil liras (é mais ou menos 1/1, tirando a milhar, ou seja, R$ 25). 

SEM MARADONA – O craque argentino Diego Maradona foi convocado para a seleção do Resto do Mundo, mas se machucou num jogo do Napoli contra a Juventus e teve que ficar de fora.

 

 

RESPEITÁVEL PÚBLICO - Em 20 de março, dois dias antes da chegada de Zico em Udine, já haviam sido vendidos 30 mil ingressos para Brasil x Resto do Mundo. As 'curvas' (arquibancada, atrás do gol - na Itália é o lugar mais barato do estádio, por isso tradicionalmente é lugar das torcidas organizadas) e as cadeiras laterais, estavam esgotadas.

HOMENAGEM NA VÉSPERA - Em 26 de março, Zico assistiu à partida entre Udinese e Sambenedetesse, pela Série A. Levou sorte, como havia prometido. Após um jejum de vitória, os alvinegros venceram por 2 a 0 e pularam para a terceira posição na classificação do Italiano. No dia desse jogo, Zico se apresentou no Friuli às 14h, meia hora antes do início do jogo, para algumas homenagens: A Udinese chamou uma banda para tocar e entregou a ele uma medalha de ouro.

CAMISA 10 - Zico entregou a camisa 10 que usou na despedida, com um autógrafo, para a comissão Udine 90.

FICHA TÉCNICA

JOGO BRASIL 1 X 2 RESTO DO MUNDO
DATA:  27/03/1989
ESTÁDIO:  FRIULI, EM UDINE (ITA)
ÁRBITROS: AGNOLIN DI BASSANO
PÚBLICO:  41 MIL ESPECTADORES
GOLS 6' DUNGA (BRA), 34' FRANCESCOLI e 65' DETARI (RM)

 

BRASIL

Gilmar (46' João Leite), Ricardo Rocha (46' Alemão) Mozer, Ricardo Gomes (46' Júlio César), Junior (68' Branco), Dunga (46' Milton), Renato Gaúcho (46' Romário), Silas (46' Andrade), Careca (61' Evair), Zico (80' Douglas), Valdo (57' Tita). TÉCNICO: Sebastião Lazaroni.
 

 

RESTO DO MUNDO

Preud'homme (46' Dasaev), João Pinto, Gerets, Demol, Valderrama (46' Mihailovic), Ridvan (46' Colik), Francescoli, Stoikovic, Detari, Rui Águas, Djurovisk. TÉCNICO: Nils Liedholm.




COLABOROU: SHEILA MACHADO
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Maracanã 90: o ensaio do adeus


O dia 6 de fevereiro de 1990, uma terça-feira, marcou o fim de uma era vitoriosa no Flamengo. Vestindo a camisa 10, Zico levou uma geração de jogadores aos títulos mais importantes da história Rubro-Negra, nas décadas de 70 e 80. E no Maracanã, onde marcou 333 gols tornando-se o maior artilheiro dos 53 anos do estádio, fez sua segunda despedida, esta pelo Flamengo. Atuando no vitorioso time de 81 no primeiro tempo; e no de 90, na etapa final, enfrentou uma seleção de craques do mundo (World Cup Masters). Esse era para ter sido o último jogo do Galinho, aos 37 anos, e ele até pendurou suas chuteiras no vestiário do estádio após o jogo. Um ato simbólico. Mal sabia que ainda voltaria a usá-las e do outro lado do mundo, de 1991 a 1994.

O Rio acordou sorrindo num dos melhores dias daquele verão. Os deuses fizeram questão de brindar os 27 anos de futebol do Galinho com sol brilhante e forte calor. Em sua casa na Barra da Tijuca, Zico se emocionou ao ler as homenagens nos jornais. A coluna de Armando Nogueira trouxe a crônica ‘’A Última Noite’’, no Jornal do Brasil, e arrancou lágrimas do craque. No mais, o dia foi normal ao lado da esposa, filhos e amigos. 

Zico entrou pelo portão 18 do Maracanã por volta das 18h10, no Opala conduzido pelo amigo e músico Fagner. Pepeu Gomes e Moraes Moreira o esperavam no estacionamento. Um outro grande amigo, Marcus Vinícius Bucar Nunes, autor da primeira biografia do Galinho (‘’Zico: Uma Lição de Vida’’), havia organizado a festa com primor. Era chamado Projeto Zico e tinha o slogan ‘’Se o futebol tem alma, o nome dela é Zico’’. A festa já estava começando com a partidas entre as equipes A e B do Juventude, primeiro time de Zico em Quintino. Em campo, muitos amigos de infância e os quatro irmãos: Antunes, Nando, Edu e Tonico. O craque acompanhou tudo da boca do túnel.

O segundo jogo da noite teve equipes formadas com os meninos do Nova Geração, time criado por Edu e comandado pelo Galinho a partir da década de 80. Os filhos Bruno e Thiago atuaram pelas equipes branca e azul. Foram disputados dois tempos de 20 minutos e Thiago, que jogou nos dois times, marcou um gol de pênalti. A essa altura o estádio estava completamente tomado pela torcida.


 



O GRANDE JOGO

Zico subiu as escadas que dão acesso ao gramado do Templo do Futebol às 21h25. Surpreendendo a todos, partiu do vestiário destinado aos árbitros, no lado oposto ao dos times. Todos os atletas estavam perfilados. O estádio ficou à meia luz e um show de raio laser cruzou o campo projetando desenhos na arquibancada, de onde a torcida acenava com 40 mil lenços brancos.

Nos primeiros 45 minutos, uma homenagem ao Flamengo que conquistou o mundo, desde a formação do time ao uniforme branco, o mesmo que foi usado no título em Tóquio. O time de 1981, comandado por Paulo César Carpegiani, jogou desfalcado dos zagueiros Figueiredo, que faleceu num acidente, e Mozer, que não pôde comparecer. Do outro lado estava um combinado de estrelas do futebol mundial. 

Os craques alemães Breitner, Krol e Rummenigge eram alguns dos destaques da World Cup Master I. Entre as atrações internacionais, ainda marcaram presença os italianos Gentile e Causio; o argentino Mario Kempes, além de Valdano e Hansi Muller. Os argentinos Fillol e Diego Maradona e francês Michel Platini participariam da festa, mas diferentes problemas os impediram de vir ao Rio. Falcão, Edinho e Roberto Dinamite deram o toque brasileiro ao time, que tinha no gol o jovem e promissor goleiro Taffarel, do Internacional. Por sinal, o gaúcho, convocado às pressas para substituir o colombiano Renê Iguita, foi o nome do jogo, fechando o gol e impedindo o Galinho de marcar. O placar do primeiro tempo não se mexeu.

No segundo tempo, entrou em campo o Flamengo de 1990, que tinha Leandro e Júnior, da velha geração Rubro-Negra, ao lado de Júnior Baiano, Leonardo, Zinho e Renato Gaúcho. O World Cup Master II tinha novidades. Entraram Gerets, Tarantini, Madjer, Camacho, Messey, Cláudio Adão e Bebeto. Taffarel levou dois gols, mas fez duas defesas milagrosas em chutes de Zico e chegou a pedir desculpas ao dono da festa, que acabou passando em branco.

O jogo terminou empatado em 2 a 2. O primeiro gol saiu aos 8 minutos, num lançamento de Zico para o zagueiro Fernando, que ficou livre na frente de Taffarel e não perdoou. Bebeto apareceu logo depois para ser um dos destaques do World Cup Máster II, dando os passes para os gols de Cláudio Adão (12´) e Tarantini (34´). O lateral-esquerdo Leonardo empatou o jogo para o Flamengo aos 35 minutos.


 

EMOÇÃO NO ADEUS

Aos 43 minutos, precisamente às 23h23, o árbitro Wilson Carlos dos Santos parou o jogo. Zico deu a volta olímpica escoltado por um coro emocionado de ‘’Tá Chegando a Hora’’ especialmente adaptado para o Galinho. Na lateral do campo, repetiu o gesto simbólico de Carlinhos em 1970 e entregou suas chuteiras a Pintinho, artilheiro do infantil e apontado pelos dirigentes do Flamengo como a grande promessa. No centro do campo, duzentas crianças de um colégio do bairro de Quintino. O craque fez um discurso de agradecimento destacando as  alegrias vividas na carreira e, às 23h35 se despediu dos quase 90 mil torcedores.

Ainda no vestiário do Maracanã, Zico sentiu-se indisposto e chegou a ser atendido pelo médico Giuseppe Taranto. Mas não foi nada grave. Logo depois, recebeu convidados em um jantar no Hotel Rio Palace (hoje chamado Sofitel), em Copacabana. Valéria Monteiro apresentou a festa com Júnior sendo o intérprete para os italianos. Jorge Bem Jor, Fagner, Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Bebeto animaram a madrugada. Acompanhado de toda a família, Zico dançou e se divertiu até o sol raiar. Dormiu pouco. Às 16h já estava no Largo da Carioca para entregar o cheque com o valor da renda do jogo (NCz$ 3.958.000, aproximadamente US$ 100 mil) à Casa do Hemofílico para a construção de um hospital. O Hospital Casa do Hemofílico foi erguido na Rua Conde de Bonfim, 764, no bairro da Tijuca, no Rio
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No mês seguinte Zico tomou posse na Secretaria Nacional de Esportes e permaneceu no cargo por um ano. Em maio de 1991, para alegria dos amantes do futebol, descumpriu a promessa de pendurar as chuteiras. O Galinho arrumou a malas e foi jogar no Japão.



A última noite


ARMANDO NOGUEIRA


Maracanã, enfeita de bandeiras tuas arquibancadas que hoje é dia de festa no futebol. Encomenda um céu repleto de estrelas. Convida a lua (de preferência, a lua cheia). Veste roupa de domingo nos teus gandulas. Põe pilha nova no radinho do geraldino. E, por favor, não esquece de regar a grama (de preferência, com água-de-cheiro).
 

Avisa à multidão que ninguém pode faltar. É despedida do Zico e estou sabendo, de fonte limpa, que, hoje à noite, ele vai repartir conosco a bela coleção de gols que fez nos seus vinte anos de Maracanã. Eu até já escolhi o meu: quero aquela obra-prima, o segundo gol do Brasil contra o Paraguai nas Eliminatórias do Mundial de 1986. Lembro-me como se fosse hoje. Zico recebe de Leandro um passe de meia distância já na linha média dos paraguaios. Um efeito imprevisto retarda a bola uma fração de segundo. Zico vai passar batido - pensei. Pois sim. Sem a mais leve hesitação, sem sequer baixar os olhos, ele cata a bola lá atrás com o peito do pé, dá dois passos e, na mesma cadência, acerta o canto esquerdo do goleiro paraguaio.
 

Passei uma semana vendo e revendo no teipe aquele instante mágico de um corpo em harmonioso movimento com o tempo e com o espaço. E a bola, coladinha no pé, parecia amarrada no cadarço da chuteira. Um gol de enciclopédia. Se o amável leitor aceita uma sugestão, dou-lhe esta: escolha um dos gols que Zico fez graças à sua arte singular de chutar bola parada.
 

Chutar a bola de falta à entrada da área é um talento que Deus lhe deu mas não de mão beijada, como imaginam os desavisados. Zico trabalhou seriamente, anos e anos, para alcançar a perfeição dos efeitos sublimes. À tardinha, quando terminava o treino, ele costumava ficar sozinho no campo do Flamengo - ele, uma barreira artificial, uma bola e uma camisa caprichosamente pendurada no canto superior das traves. A camisa era o alvo.
 

Zico passava horas sem fim, chutando rente à barreira e derrubando a camisa lá de cima das traves. Chegava o domingo, na cobrança da falta, a bola já estava cansada de saber onde ela tinha que entrar. Não tenho dúvida em dizer que tardará muito até que apareça alguém que domine como Zico o dom de cobrar falta ali da meia-lua.
 

Celebremos, querido torcedor, a última noite do maior artilheiro da história do Maracanã. Será uma despedida de apertar o coração. Se te der vontade de chorar, chora. Chora sem procurar esconder a pureza da tua emoção. Basta uma lágrima de amor para imortalizar o futebol de um supercraque.
 

Cantemos, Maracanã, teu filho ilustre, relembrando em comunhão os dribles mais vistosos, os passes mais ditosos, os gols mais luminosos desse fidalgo dos estádios que tem uma vida cheia de multidões.
 

Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés.

 




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CURIOSIDADES

ENGARRAFAMENTOS – Por volta das 17h, o trânsito nas imediações do Maracanã já era intenso naquela terça-feira, antecipando os habituais engarrafamentos na Praça da Bandeira, Radial Oeste e Avenida Maracanã.

DOAÇÃO - Zico inaugurou a agência da Caixa Econômica no Largo da Carioca depositando a renda do jogo na conta da Casa do Hemofílico, a conta número um. 

APRESENTAÇÃO – O astro alemão Rummenigge foi o estrangeiro mais aplaudido pela torcida que lotou o Maracanã. Bebeto e Roberto Dinamite, do Vasco, foram vaiados.

HOMENAGEM - A torcida homenageou os dois campeões de 81 que não puderam participar da festa. Mozer, que estava atuando em Portugal; e Figueiredo, morto num acidente.

IMPRENSA - O jogo foi transmitido ao vivo para todo o Brasil, inclusive para o Rio. Quatorze países acompanharam em vídeo teipe: parte da América do Sul, Itália, Japão e EUA. Mais de 100 jornalistas estrangeiros foram credenciados para a cobertura. A maioria da Itália. O jornalista Arlérico Jácome cuidou da organização da imprensa.

 

 

CACHÊ - Todos os atletas abriram mão de cachê e receberam um brinde da festa: uma bolsa do Projeto Zico, azul, com as inscrições ‘’World Soccer, Rio de Janeiro, Despedida do Zico’’. Dentro da bolsa havia material esportivo e dois relógios Piaget.

DESFALQUES - O francês Michel Platini esqueceu de pegar o visto e não pôde viajar, impedido quando estava no aeroporto de Orly. O goleiro Fillol não foi liberado por seu clube, o Vélez Sarsfield, assim como Maradona em relação ao Napoli.

ÁRBITRO -  Ao ser convidado para apitar o jogo, Arnaldo Cezar fez uma exigência. Disse que só aceitaria se recebesse a camisa de Zico no final. O Galinho propôs uma inédita troca. Trato feito. No final do primeiro tempo, em que Zico atuou pelo Flamengo de 1981, os dois trocaram as camisas.

INGRESSOS -  Um ingresso de Geral custou NCz$ 10,00. As arquibancadas foram vendidas por NCz$ 40,00; Cadeira Azul, NCz$ 60,00; Cadeira Especial, NCz$1.000,00 e o Camarote saiu por NCz$ 4.000,00.

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FICHA TÉCNICA

DATA:  06/02/1990
ESTÁDIO:  MARACANÃ
ÁRBITROS:  WILSON CARLOS DOS SANTOS
 JORGE EMILIANO
 ARNALDO CEZAR COELHO
PÚBLICO:  89.622 ESPECTADORES
RENDA:  NCZ$ 3.958,600,00
 

FLAMENGO 81

Raul (Catarelli), Nei Dias, Leandro, Marinho e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Titã, Nunes e Lico.
 

WORLD CUP MASTERS I

Taffarel, Gentile, Edinho, Krol e Breitner; Falcão, Causio e Mario Kempes; Valdano (Hansi Muller), Roberto Dinamite e Rummenigge. TÉCNICOS: Sebastião Lazaroni, Telê Santana, Edu Coimbra e Carlos Alberto Torres.
 

FLAMENGO 90

Zé Carlos, Leandro (Júnior Baiano), Júnior (Uidemar), Fernando e Leonardo; Aílton, Edu e Zico; Renato, Bujica e Zinho.
 

WORLD CUP MASTERS II

Taffarel, Gerets, Camacho, Edinho e Tarantini; Madjer, Hansi Muller e Mário Kempes; Messey, Claudio Adão e Bebeto. TÉCNICOS: Sebastião Lazaroni, Telê Santana, Edu Coimbra e Carlos Alberto Torres.
 

 

1º JOGO - JUVENTUDE A X JUVENTUDE B

Irmãos e amigos de infância do Zico. Dois tempos de 30 minutos.
 

2º JOGO - NOVA GERAÇÃO (AZUL) X NOVA GERAÇÃO (BRANCO)

Garotos do projeto dirigido por Zico. Dois tempos de 20 minutos.
 

 

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Versão de ‘’Tá Chegando a Hora’’

Na entrada do estádio, os torcedores receberam folhetos com a música adaptada para a despedida do Galinho, cantada a partir dos 30 minutos da etapa final.

Quem parte,
Leva a alegria
Também, se tudo que fez
Fez bem

Por isso, nada de choro
Na despedida
Do Galo de Ouro

Ai, ai, ai, ai
Zico não chora

Quem mora no peito da gente, rapaz
Jamais pode ir embora


 

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Texto de agradecimento lido por Zico para as pessoas que estavam no gramado. No placar do estádio, as frases apareceram de quatro em quatro, para que o público pudesse acompanhar o discurso.

‘’Às vezes, descrever uma emoção é mais difícil que driblar o goleiro. Principalmente se essa emoção for do tamanho do Maracanã. Desde o campinho lá de Quintino até o maior de todos. Nesses gramados, eu joguei tudo que tinha. No começo, era só um garotinho mirrado com fome de bola. Mas teve gente que acreditou. E é por isso que eu estou aqui. Se futebol é uma caixinha de surpresas, pra mim elas quase sempre foram ótimas. Os grandes amigos, os grandes momentos, as maiores emoções.  Conquistas que vão estar sempre ligadas ao futebol. Onde quer que seja. Aqui, com os companheiros do Flamengo. Com os companheiros de todos os times do Brasil e do Mundo. E, é claro, com a torcida que na base do carinho ajudou a marcar muitos gols. Fora do gramado, agora, eu me junto a essa grande massa colorida. Torcendo por todos aqueles que sempre estiveram ao meu lado. Dentro e fora de campo, fazendo o futebol brasileiro brilhar. Hoje, marco meu último gol. Aquele, para sempre, inesquecível. A todos que ajudaram a tocar essa bola, o meu muito obrigado."

Zico

 






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