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As quatro letras que marcaram o futebol mundial, Z-I-C-O, entraram na vida de Arthur ainda na infância. Pequeno e franzino, não foi difícil Arthur virar Arthurzinho e depois Arthurzico. Até que uma prima, Ermelinda, reduziu carinhosamente para Zico. O outro apelido, o de Galinho de Quintino, foi dado anos depois pelo radialista Waldyr Amaral, que se inspirou no jeito de andar do craque.
Zico brincava na rua e fazia pequenos bicos na feira para poder comprar figurinhas e pão de mel, seu doce preferido. Uma liberdade vigiada pelos olhares rigorosos e atentos dos pais, além da orientação dos irmãos. Mamou no peito de Dona Matilde até os seis anos e cresceu como uma criança normal do subúrbio carioca. Mas, características como criatividade e organização. já se destacavam no comportamento dele. O melhor exemplo disso é o fato de Zico ter anotado todos os gols de sua carreira num caderninho.
Por insistência da mãe, chegou a estudar piano e até participou de teatrinhos amadores no colégio. Mas o palco que o esperava era outro. A aptidão artística já se manifestava quando a bola estava em seus pés.
Quem acompanhou de
perto o crescimento de Zico foi a irmã Zezé, que fala da infância do
caçulinha da família: |
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"Zico
foi um menino que acompanhou muito os irmãos e todos jogavam bola,
inicialmente Zeca e Nando no clubinho da rua, o Lucinda. Edu era o mascote
e eu a madrinha. Meus primos também jogavam e Zico, ainda bem pequeno, via
tudo isso. Pela diferença de idade, era o mais exigido e também muit
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A
união dos Coimbra, temperada com boas doses de disciplina, ajudou a formar
um time de profissionais em diversas áreas. Antunes em Administração de
Empresas e Economia, Nando em jornalismo, Tunico em Direito, Edu em
Educação Física e Zezé em psicologia. O próprio Zico só pôde seguir no
futebol com a promessa de continuar estudando. Para que isso fosse
possível, encarava uma maratona diária da zona norte (Quintino) à zona sul
(Gávea) passando pelo Centro, onde ficava seu colégio. Fez admissão na
Escola Haiti; o ginásio, no Rivadávia Correia, e formou-se em
contabilidade na Escola Santos Dumont. Chegou a cursar quatro períodos de
educação física na Universidade Castelo Branco, mas teve de abandonar em
1983, quando se transferiu para o futebol italiano. A interrupção
decepcionou um pouco Zico, que carregava consigo a vontade de conhecer
mais a fundo outros esportes, principalmente o atletismo. Família é palavra-chave para Zico, que percebeu ainda cedo a importância dela no seu processo de formação. Viu as dificuldades dos pais na criação dele e dos irmãos, dividiu alegrias e tomou contato com a disciplina. Observou com atenção as injustiças sofridas pelos irmãos Zeca e Edu no mundo da bola e ouviu muitos conselhos dos dois. O Galinho pôde refletir sobre o que encontraria pela frente e dar valor ao que tinha em casa. E tão logo a dura rotina de treinamentos e jogos começou, o jovem craque tratou de criar estrutura similar a que viu na infância, abrindo mão dos prazeres da juventude e se concentrando nos seus maiores objetivos. Uma maturidade precoce. A timidez atrapalhou um pouco, mas o destino resolveu facilitar as coisas para ele, que não precisou ir muito longe em busca de sua cara-metade. Sandra Carvalho de Sá era irmã da mulher de Edu, torcedora do Flamengo e vizinha. Melhor impossível! Zico a conheceu em 1969 e alguns meses depois os dois começaram a namorar, processo que durou cinco anos até o casamento, em 1975. Os filhos não demoraram a chegar para formar o quinteto. O primeiro, em 1977, recebeu o nome do pai e logo passou a ser chamado de Júnior. Sem intervalo, Sandra deu à luz a Bruno, em 1978. Zico e Sandra reabririam a fábrica em 1983, quando nasceu Thiago. Sandra sempre foi uma verdadeira craque na retaguarda, garantindo tranqüilidade no dia-a-dia e o apoio ao Galinho nos momentos difíceis. Até hoje, cerca o marido de cuidados e está sempre atenta aos filhos. Quando jogava, Zico costumava resumir a importância de Sandra em sua carreira dizendo que ela era quem garantia as suas arrancadas em campo. Sandra conta como é o Zico, pai e marido: |
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Um dos momentos difíceis, que mostra a forma como Zico conduziu sua vida, aconteceu na Itália, em 1985, quando o craque foi condenado em primeira instância por sonegação fiscal e teve de lutar muito para provar que era inocente. Envolvido diretamente numa briga política que tinha como objetivo atingir o presidente da Udinese, clube em que atuava, o Galinho de Quintino deixou o país condenado a pagar multa de 800 mil dólares e cumprir oito meses de prisão. A sentença nunca foi cumprida. Mesmo à distância, brigou para limpar seu nome, pois nada devia ao Fisco e tinha provas. Zico foi até o fim no processo e, naturalmente, acabou absolvido. Em março 1989, num jantar realizado na véspera do jogo que marcou sua despedida da Seleção Brasileira, e que foi realizado na cidade de Udine, o craque se abriu e contou sua história de vida. O relato arrancou lágrimas das pessoas que estavam presentes, algumas delas que o haviam condenado quatro anos antes. Contusões, derrotas e decepções não modificaram a visão de mundo de Arthur Antunes Coimbra. E o homem, resultado do que foi o menino do bairro de Quintino, mostrou-se mais claramente como cidadão depois de pendurar as chuteiras. Ainda que tivesse participado de iniciativas em defesa da classe- como ter sido presidente do sindicato-, e usado prestígio para melhorar as condições dos jogadores, Zico só pôde lutar efetivamente para melhorar o futebol a partir de 1990, quando encarou o desafio de ser o primeiro Secretário Nacional de Esportes. Em 1991, aceitou proposta para voltar a jogar futebol e seguiu para o futebol japonês, amador à época. Mas não desistiu da missão de trabalhar pelo futebol brasileiro. No campo social, plantou uma semente definitiva ao criar o Centro de Futebol, a partir de 1995, projeto de referência na formação de jovens atletas, que veio a se tornar um time profissional com sedes no Rio de Janeiro e Brasília. A primeira medida do Galinho ao criar o Centro foi levar para seu novo projeto alguns competentes amigos, muitos deles ex-jogadores que estavam fora do mercado de trabalho. Gerenciando o time do Kashima Antlers,
Zico seguiu no Japão até 1998, quando se licenciou. Naquele ano, o amor ao
país falou mais alto e ele aceitou o convite para ser coordenador-técnico
da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Queria ajudar o Brasil a
conquistar o quinto título. Problemas extracampo atrapalharam e isso
acabou não acontecendo, apesar de uma bela campanha até a partida final. A
Seleção perdeu para a anfitriã França na decisão.
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