Reflexões após o Supercampeonato Uzbeque

A missão de 2008 está cumprida. Garantimos com duas rodadas de antecipação a conquista inédita do título do Campeonato do Uzbequistão. Foi um encerramento com “chave de ouro”, uma vez que conquistamos ainda a Copa do Uzbequistão e somos legítimos Supercampeões. A Conexão ZNR desta semana é para falar um pouco dessa grande conquista.

Para início de conversa, acho que o mais importante foi conseguir quebrar uma sequência grande de Supercampeonatos do Paxtakor. Nosso rival aqui na capital vinha passeando pelos campeonatos sendo pouco incomodado. E chegamos com vontade, garantindo logo o título antes do fim do campeonato e sem perder para o rival. Melhor impossível.

Nas coletivas após a conquista, e até mesmo jornalistas brasileiros mandaram e-mail me perguntaram o quanto me sentia campeão já que não assumi o time desde o início. Acho até curioso pensar assim. Como jogador, sempre soube que não seria campeão sozinho. Precisávamos ser um time. Como treinador, não penso diferente. Quem ganha não sou eu, nem o jogador “a” ou “b”, quem ganha o título é o clube, o Bunyodkor.

Falando especificamente na posição de treinador, fiz um paralelo numa entrevista tomando como referência o jogo nas quatro linhas. Mirjalol Kasymov, que comandava a equipe e assumiu a seleção, é um ídolo no país, foi um dos maiores jogadores e jogava no meio-de-campo. E eu, como todos sabem, jogava no ataque. Pois bem, o que fizemos foi uma tabelinha. O Kasymov começou a jogada, preparou direitinho e me passou bola com competência. Dentro da minha especialidade, eu ajeitei deixando como eu gosto e fiz o gol. Foi assim que fizemos. Conquistar títulos é um trabalho de grupo, jogadores, comissão técnica, equipe de apoio e sempre será assim.

Temos que lembrar ainda a disposição do presidente do clube, que não está medindo esforços para construir um grande Bunyodkor e montou um time forte. Trouxe um campeão mundial, o Rivaldo, não pára de investir em estrutura para o clube, está fortalecendo as divisões de base. E ainda faz trabalhos sociais em Tashkent com órfãos, ajudando a sociedade e formando torcedores, além de apoiar a seleção nacional.

Tudo isso, aos poucos, vem mexendo com cenário do futebol uzbeque. A vontade é grande de alavancar o esporte, de aumentar o intercâmbio com mais estrangeiros, de novos patrocinadores investirem nos clubes. É assim que se faz um futebol forte. O caminho ainda é longo, e nosso caminho para 2009 ficou mais complicado. A responsabilidade aumentou, precisamos lutar por melhores posições no futebol do continente. Isso significa que, para a próxima temporada, vamos ter que trabalhar mais e nos reforçar. Mas o bom do desafio é que ele mexe com a nossa mente, nos instiga, nos motiva. E ultrapassá-lo é sempre uma vitória muito mais valiosa.

Até a semana que vem!


Em 19/11/08.

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