29/04/08
OSWALDO DE OLIVEIRA

Não bastassem títulos no currículo como o Mundial da Fifa, em 2000, e o Brasileiro, em 1999, pelo Corinthians, além de Mercosul, pelo Vasco, e um Paulistão de lambuja, ele ainda chegou à Terra do Sol Nascente e levou um time da 15ª colocação ao título nacional no ano passado. Precisa dizer mais? Trata-se de Oswaldo de Oliveira Filho, carioca, 58 anos, que desde o ano passado dirige o time em que Zico brilhou como jogador, atuou como treinador, coordenador e até hoje mantém laços afetivos. Em sua décima primeira experiência como treinador, após duas décadas atuando como preparador físico e auxiliar técnico, Oswaldo revela ao site que está vivendo um momento feliz. A meta agora é a conquista da Copa da Ásia – sem perder de vista o bi da J-League - e, ao seu lado, os brasucas são o meia Danilo e o atacante Marquinhos. Confira o papo!

ZNR: Oswaldo, como é que você foi virar treinador de futebol?
OO: Foi um parto normal, uma gestação que durou 23 anos trabalhando como Preparador Físico e Auxiliar Técnico, até que um dia, naturalmente, as pessoas do Corinthians me deram a chance.

E o futebol japonês? Muita gente sempre comenta sobre as dificuldades de adaptação.
Olha, eu sempre gostei muito do Japão mesmo sem conhecer, e sempre tive muita vontade de trabalhar aqui. Estou muito feliz. Gosto da comida, da disciplina, da organização do futebol japonês.

A Copa da Ásia é a uma competição continental equivalente à Taça Libertadores. Na prática, dá para comparar?
Ocorre que os clubes japoneses não se interessavam muito pela Copa da Ásia. E eu já havia disputado algumas vezes pelo Al Arabi, do Qatar. Mas, tem sim um que de Libertadores: Rivalidades, dificuldades com viagens e arbitragens, por exemplo. Na primeira fase só um se classifica em cada grupo. Por isso é mais difícil de avançar.

Qual a principal dificuldade que você tem encontrado no Japão?
A língua é um grande obstáculo, mas eu tenho um excelente tradutor.

Quando um time conquista o título, como no caso o Kashima na temporada passada, passa a ser mais visado. É a vidraça no campeonato. Você tem sentido isso?
Realmente, agora todos nos respeitam muito, se preparam especialmente para nos encarar. Quem pode e tem influência escolhe data, descansa mais tempo. Essas coisas de bastidores que fica parecendo acaso têm acontecido nas duas competições.

O fato de estar distante dos olhos dos brasileiros te preocupa? Tem receio de ser esquecido como treinador no seu país?
Me preocupa, sim. E um dia volto a trabalhar no Brasil, mas no momento estou muito feliz aqui, faço questão de destacar isso.

Faz planos para o futuro? Tem algum sonho?
Assim como me tornei treinador naturalmente, não faço planos. Espero as coisas acontecerem de parto normal.

Quais foram as suas referências como treinador, profissionais que te influenciaram? A primeira referência foi o Parreira. Ele era meu professor na época da Copa de 70. Depois vários treinadores participaram na minha formação, prefiro não citar para não ser injusto.

Como você avalia hoje o time do Kashima?
Nosso grupo é muito bom. No início tivemos um período de adaptação que foi muito trabalhoso, mas eles são muito atentos e acima de tudo obedientes. Por isso as coisas estão dando certo.

Para encerrar o papo, espaço aberto para você falar o que quiser, Oswaldo?
Para mim, é uma honra participar aqui do site do Zico, de quem sempre fui fã. Eu ia para o Maracanã e vibrava com seus lampejos de gênio, passes, faltas, dribles e extrema habilidade. Agora torço muito para o treinador Zico. E agradeço muito a chance no Kashima. É isso. Um abraço a todos!


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