30/01/09
Entrevista com Mauro Galvão
Leonardo Filipo

No final do ano passado, quando conversou com o ZNR, Mauro Galvão aguardava uma proposta para retomar a carreira de treinador, iniciada no Vasco em 2003, e que teve passagens por Botafogo, Náutico e Vila Nova. Com a calma dos tempos em que era um dos melhores zagueiros do Brasil, o ex-jogador não tinha pressa e aguardava por uma boa oportunidade.

Porém, no início de 2009, uma nova e desafiadora proposta surgiu. Galvão aceitou o convite para ser diretor-executivo de futebol do Grêmio, um dos clubes onde foi ídolo e que este ano disputa a Taça Libertadores. No papo com o ZNR, o ex-zagueiro fala do trabalho como técnico, do rebaixamento do Vasco, dos tempos em que enfrentava Zico e aponta os melhores jogadores da posição em que se consagrou.

O fato de você ter sido um grande jogador gera uma expectativa grande no seu trabalho de técnico?

As pessoas esperam pelo melhor. Mas, às vezes, o clube não tem condições de dar uma estrutura. Acaba ficando um dilema. Mas eu tenho calma. Já fiz alguns trabalhos bons que me deram experiência. Por enquanto estou trabalhando na revelação de jogadores em um clube lá no Sul. E tenho outros trabalhos aqui no Rio de Janeiro. O melhor que pode acontecer com um treinador é um trabalho no exterior. Você tem tempo, um contrato e pode trabalhar com mais calma. Existe respeito ao que foi assinado. No Brasil é difícil porque os resultados devem ser imediatos.

Como você avalia o seu trabalho como treinador?

Foi relativamente bom. Eu era auxiliar do Antonio Lopes em 2003 e assumi o Vasco. Ficamos em 14º lugar. Não muito na frente, mas também não muito lá atrás, já que naquela época eram 24 clubes. Pegar um trabalho no meio do caminho não é fácil. Mas foi legal. Depois fui para o Botafogo. E acho que foi bom. Treinei dois times em que joguei. Seria interessante começar o trabalho no início do ano, contratar quem você quer. Fazer um Campeonato Estadual tranquilo, mas para ganhar, e chegar no Brasileiro em um estágio bom. Mas isso só acontece com treinadores que já estão no mercado há algum tempo.

Mauro Galvão na seleção brasileira: duas Copas do Mundo, uma Olimpíada e a conquista da Copa América de 89

E o Vasco, onde você foi também foi ídolo? Como é que você recebeu o rebaixamento do time no Campeonato Brasileiro?

O Vasco vem há um bom tempo sem disputar o título, só participa do campeonato. Isso faz com que você fique próximo dessa situação. Está assim desde que eu estive lá. O Flamengo esteve próximo. Botafogo, Palmeiras e Grêmio caíram. O Vasco é um clube difícil. É outra forma de política, é complicado. Houve uma divisão e isso atrapalhou. Não houve uma eleição e sim uma retomada. O certo seria a nova diretoria entrar em dezembro. Aí começa a fazer toda a programação. Mesmo que o planejamento anterior não fosse bom, você fica numa situação de conflito. Existe uma espécie de vazio. Você não sabe quem está no comando. Aí o Vasco trocou de treinador duas vezes... Tudo isso é um convite para você cair para a segunda divisão. Os jogadores acabam dispersos e o Campeonato Brasileiro é muito difícil. Talvez o Vasco não caísse se não tivesse tantas mudanças. Não digo diretoria A ou B. Mas haveria mais tranquilidade. O Corinthians, apesar de ter sido um capítulo à parte, está aí para dar o exemplo.

Como era encarar o Zico nos gramados?

Joguei contra ele pelo Internacional e pelo Botafogo e tive muita dor de cabeça. Além de fazer gol, colocava os companheiros da cara do gol. O Zico está no hall do Platini, Zidane, Ronaldo. Tenho admiração muito grande por ele. Estive com ele na Copa de 86. Acompanhei o trabalho dele para superação a lesão e jogar. Eu vinculo muito o jogador com a pessoa. Sempre procurei fazer isso na minha vida, não ser duas pessoas. Tudo o que faço dentro de campo eu faço fora. E o Zico é um exemplo disso, um personagem que tem uma postura. As crianças precisam de um personagem como esse, assim como o Dinamite, o Falcão.

Quem é o “Mauro Galvão” da atualidade, o melhor zagueiro do Brasil?

Thiago Silva e Juan. São jogadores que representam bem a qualidade do zagueiro brasileiro.


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